Estava a pensar ontem.
Não me lembro o porquê, mas me veio à memória algo que alguém antes disse, numa discussão rápida e um tanto insensível.
Isso fez com que eu organizasse algumas idéias daquilo que eu tenho disposição (ainda que, no momento, por infelicidade, muito pouca) para defender.
Idealizei um mundo e como ele seria.
...
Algumas pessoas as quais conheço são muito focadas em algumas "tradições" e dizem não aceitar mudanças, mas se mergulham nelas.
Há quem não aceite alguns modos de vida contemporâneos, algumas realidades deste século. O porquê!? Dizem seguir tradições com aquela fala: "Foi assim até agora e não pode mudar."
Hum, alguns dizem isso por conta do que acreditam ser o certo e o errado. Então pergunto: essas pessoas já não estão mergulhadas em uma vida quase que totalmente diferente daquela tradicional? Alguns valores se conservam, claro, mas o modo de vida difere e muito. Basta dar uma olhada na sala e ali está uma televisão. O computador também não se safa dessa. E quanto aos hábitos? Os jovens se divertem das mais diferentes formas. Apenas em famílias extremamente conservadoras é que eles são 100% caseiros. E não digo que essas "saídas" sejam ruins, muito pelo contrário, apóio isso.
Daí vem a pergunta: se essas mesmas pessoas já aceitaram tantas mudanças aqui e ali, seja nos hábitos ou nos bens materiais, por que razão não podem abrir um pouco mais suas mentes?
Isso tudo é modo de vida. Uma pessoa que foi criada em um meio capitalista aprende, desde cedo, valores e hábitos desse meio. Para ela, esse é o mundo normal. Se quiséssemos implantar o socialismo no modo de vida dessa pessoa, a possibilidade de ela apresentar resistência é enorme! São poucos aqueles que aceitam mudanças nos hábitos ou no que estão acostumados a ver, sentir e ter. Essas mesmas pessoas, tão acostumadas com suas vidas, tornam-se, então, super resistentes a quaisquer mudanças que possam trazer-lhes prejuízos. Outras, recusam-se a aceitar outras realidades simplesmente por recusá-las.
Não as culpo por serem assim, afinal, elas foram criadas em uma sociedade que há muito "implanta" conceitos em suas cabeças.
Direto ao ponto: não acho errado um casal gay adotar uma criança. Que prejuízos isso traria?
Dizem que a criança pode ficar confusa. Ah, mas qual o motivo dessa confusão? Veja uma família heterossexual: se o pai tem idéias diferentes das da mãe, o filho fica confuso. Afinal, ele pode ou não pode fazer algo? Por que o pai acha certo, mas a mãe acha errado?
Bom, caso o casal homossexual seja controverso, o mesmo tipo de confusão pode aparecer no filho.
Diferenças até agora? Nenhuma.
Imagine, então, uma esposa que perdeu o marido. O filho não teve um pai presente, não soube o que era ter pai e cresceu muito bem sem tê-lo. Esse menino, no entanto, vai para a escola, lugar no qual ele vai se deparar com garotos que possuem pai. Ele, então, ao ver os outros garotos fazendo atividades pai-filho, começa a sentir falta de algo que nunca teve. Mas como é possível sentir falta do que nunca se teve? O pode ocorrer é que o menino, ao ver as outras crianças brincando felizes com seus pais, se imagina fazendo aquilo também. E daí começam as afirmativas do tipo: "Se eu tivesse pai, seria feliz!"
Opa! O que acaba de ocorrer? Percebem que, o que afinal fez o menino ficar confuso foi o fato de a sociedade (outras crianças com seus pais) passar a imagem de que crianças com pai são mais felizes do que as que não o possuem? O garoto era feliz até então, mas como há uma ordem de que famílias devem ter uma mãe e um pai para serem realmente uma família, o pobre do menino começa a se sentir confuso e pode até excluir-se ou ser excluído por não ter pai, fato que nunca interferira em sua vida até então.
Vejamos, agora, uma família com pais homossexuais. O menino foi criado por dois pais (ou duas mães). Esta é a realidade dele, por isso, o garoto não vê nada de anormal nisso. No entanto, num belo dia, esse garoto vai para a escola. Lá, ele conhece que outras crinaças tem pai e mãe. O menino chega em casa e pergunta o porquê daquilo, por que as outras crianças tem pais diferentes. Os pais explicam ao garoto o fato de sua adoção (que reagiria como qualquer outra crinaça adotada) e que as pessoas eram livres para amar quem quisessem, independente do sexo. Alguns são atraídos por mulheres, outros, por homens, mas não há nada de mau nisso.
O garoto volta, então, à escola. Para sua infelicidade, outros alunos descobrem que seus pais são homossexuais e começam a fazer críticas e brincadeiras de mau gosto. Ele, então, fica confuso (meus pais disseram que não há problema, que o que importa é o amor. Mas quando chego aqui, sou vítima das outras crianças. Por quê!?). O garoto, até então feliz com sua vida, começa a ver que, se ele tivesse pais heterossexuais, seria igual aos outros e não sofreria com as brincadeiras deles.
Opa! Analisemos a situação:
Onde as crianças, filhas de heterossexuais, aprenderam que a homossexualidade era errada e, por isso, motivo de piada?
Basta ligar a TV. As novelas, as séries, os filmes, os programas de comédia, todos passam a imagem de uma família e sociedade ideais. A população que assite àquilo e, com medo de não se encaixar, de ser diferente, adere o modo de vida ideal. E não é culpa só da TV, não. As famílias tradicionais também carregam parte dessa culpa. São famílias do tipo: "Deu certo até agora. Deve ser assim e pronto." que se recusam a aceitar e a respeitar os outros e acabam por passar isso aos filhos e privá-los de imagens que tenham o intuíto de fazer um casal homossexual ser como qualquer outro. Assim criam-se novos preconceitusos.
Duas crianças confusas.
Difenças: nenhuma.
Semelhanças: uma: âmbas as crinaças se imaginam em uma vida teoricamente mais feliz, afinal, é o modelo de vida gravado pela sociedade.
Concluo: o que é visto como diferente é fruto de uma idéia já formada por uma sociedade cega e resistente a mudanças. Como disse Y.R.: "O Mundo está podre."
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