domingo, 22 de novembro de 2009

T.

E.


Era um domingo como outro qualquer. Lá fora, o calor era tão intenso que até mesmo os pássaros deixaram de voar. O jornal anunciava belas perspectivas para o futuro da cidade: "Belo Horizonte depois da Copa de 2014". O Arrudas se tornaria um parque. Por alguns segundos, antes de descobrir que a notícia não se passava de fruto da imaginação de algum arquiteto/decorador que sonha em demasia, uma ponta de esperança surgiu em mim. Mas apenas por poucos segundos... somente até descobrir a falsidade de tal informação.
Pensei muito nele nos dias que se passaram. Tenho uma cena gravada em minha mente. Ele estava todo social. Camisa branca, calça preta e sapatos. Na conversa, me deu um sorriso (qual meu problema com sorrisos?). Não um sorriso com tom de deboche, mas como reação positiva a algum comentário ou expressão que eu fizera ou, simplesmente, pelo momento que passamos juntos. Poderia me descrever como apaixonado, mas não é o caso. Talvez um encanto. Não é todo dia que se encontra alguém assim.
E as fantasias logo começam. Vejo um filme ou uma série de TV, na qual acontece uma cena "fofa" ou romântica, e logo me imagino a fazer aquilo. Como seria se acontecessem comigo?

...

"Você vai se casar com a mulher da sua vida."

Eu morri nesse dia.
Senti-me como se mil travesseiros me sufocassem naquela hora. Não disse nada, porém. Fiquei quieto como sempre. Sofri sozinho... a minha dor... minha.

...

Na fila do Concerto Didático, um homem estava na minha frente (óbvio, afinal, estávamos em fila para entrar). Ele se virou e encontrou meus olhos. Pensei já tê-lo visto em algum lugar. Era-me muito familiar, mas não lembrei quem na hora e nem lembro agora. As pessoas começaram a entrar. Eu estava na escada. Ele, um degrau acima do meu. Todos os que estavam na sua frente se distanciaram, mas ele continuou imóvel. Havia outro homem a quatro ou talvez cinco degraus acima de mim. Loiro, de estatura média, com um sorriso radiante. Vestia uma camisa social azul. Não prestei atenção no resto. Ele olhou para o moço que estava na minha frente e me fitou logo depois. Não interpretei a a "olhada" e nem a "fitada" na hora. Quando o loiro desceu as escadas e veio ao encontro daquele que estava na minha frente, foi aí que entendi. Deram um selinho seguido de um abraço incrivelmente verdadeiro com sorrisos e uma fala "Que bom que você veio!". Eu não me movi. O loiro novamente me fitou e olhou para, creio eu, seu acompanhante. Não me movi, pois estava em fila. Ele estava na minha frente e eu não queria "furar". Já ia interromper o momento dos dois com uma "Posso passar?!", mas o moço do degrau acima foi mais rápido "Pode passar.".
Fui.

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