H. I
- Ah, droga, mas ainda são 06:30h! - meu despertador tocara mais cedo do que havia programado. Tinha um compromisso às 10h, apenas, e aquele som terrível só devia me incomodar depois das 08:30h! "Não conseguirei dormir mais, nunca consigo", pensei.
Espiei quem estava a meu lado. Meu irmão... Era incrível o quão belo ele era. Dormia tão pacificamente, tão perfeitamente. Que vontade de partilhar da mesma cama, da mesma coberta que ele! Mas não podia... meu medo da opinião pública, e não só essa, mas a dos meus pais também. O que pensariam? Minha mãe quase me linchou quando descobriu que eu guardava uma foto de um homem de cueca debaixo das minhas cuecas na gaveta do guarda-roupas. "O que é isso aqui?" Gelei quando ela me perguntou. Segurava a imagem nas mãos... minha respiração foi a mil, comecei a suar, meus batimentos eram tão fortes e rápidos que podia escutar as veias pulsando no meu pescoço e sentir as palpitações de cada batida. Uma dor na garganta me impediu de falar por alguns segundos. Foi muito tempo, talvez até demais, tempo suficiente para que ela suspeitasse que eu bolova alguma mentira. E foi o que fiz: menti. "Eu quero entrar na academia!". Ela estranhou. "Quero ter um corpo assim. Imagina só! Eu desse jeitinho aí, hein?". O assunto terminou ali. Ela me olhou de maneira repreensiva, provavelmente não acreditara naquela mentira deslavada. Foi minha única arma.
Mas ali estava meu irmão. Dormia tão lindamente. Não consegui conter um suspiro.
Não entendia o porquê daquele sentimento, afinal, ele era uma cópia de mim, meu gêmeo! Quando me abri para uma amiga, depois de muito receio, claro, afinal, não sabia a reação que teria, ela disse: "Ah, vai ver você está apaixonado com você mesmo". Tudo bem, era possível. Porém, eu sentia por ele algo que não sentia por mim. Será que ele sentia o mesmo?
- Provavelmente, não. - falei baixinho e me surpreendi com uma resposta, ainda que não tivesse feito pergunta alguma.
- Não o quê? - ele estava acordado.
- Eu o acordei? Desculpa. - ele se descobria e espreguiçava. O cabelo amassado, o rosto amarrotado, um sorriso maravilhoso se mostrou.
- Eu tenho aula, lembra? - de fato, ele repetira um ano a ainda estava na última semana de provas. Eu optei por não tentar o vestibular no ano passado, não sabia o que queria ainda.
- É incrível como você acorda de tão bom humor.
- É... eu devo ter um déficit ou superávit daquele hormônio... como é mesmo?
- Sei lá... contanto que eu não morra de ataque cardíaco por causa dele, não me interessa.
- Mas o que era que você resmungava? "Provavelmente, não..."
- Pensamentos... fico imaginando meu mundo perfeito quando acordo, mas logo fico frustrado, pois nunca vai acontecer... - e não iria mesmo.
- Há! Talvez esteja na hora de você voltar à realidade, então. É horrível... Quer uma palmada nas costas como consolo?
- Um abraço seria bom... - falei para mim mesmo.
- Quer um beijo também? - ele, de novo, me escutou! Como podia? Ah, quem dera eu tivesse coragem para dizer "sim"...
- Vai tomar banho, vai! - e foi. Sentei na cama, meu travesseiro no colo. Fechei os olhos e desfrutei de um momento que não aconteceu.
Espiei quem estava a meu lado. Meu irmão... Era incrível o quão belo ele era. Dormia tão pacificamente, tão perfeitamente. Que vontade de partilhar da mesma cama, da mesma coberta que ele! Mas não podia... meu medo da opinião pública, e não só essa, mas a dos meus pais também. O que pensariam? Minha mãe quase me linchou quando descobriu que eu guardava uma foto de um homem de cueca debaixo das minhas cuecas na gaveta do guarda-roupas. "O que é isso aqui?" Gelei quando ela me perguntou. Segurava a imagem nas mãos... minha respiração foi a mil, comecei a suar, meus batimentos eram tão fortes e rápidos que podia escutar as veias pulsando no meu pescoço e sentir as palpitações de cada batida. Uma dor na garganta me impediu de falar por alguns segundos. Foi muito tempo, talvez até demais, tempo suficiente para que ela suspeitasse que eu bolova alguma mentira. E foi o que fiz: menti. "Eu quero entrar na academia!". Ela estranhou. "Quero ter um corpo assim. Imagina só! Eu desse jeitinho aí, hein?". O assunto terminou ali. Ela me olhou de maneira repreensiva, provavelmente não acreditara naquela mentira deslavada. Foi minha única arma.
Mas ali estava meu irmão. Dormia tão lindamente. Não consegui conter um suspiro.
Não entendia o porquê daquele sentimento, afinal, ele era uma cópia de mim, meu gêmeo! Quando me abri para uma amiga, depois de muito receio, claro, afinal, não sabia a reação que teria, ela disse: "Ah, vai ver você está apaixonado com você mesmo". Tudo bem, era possível. Porém, eu sentia por ele algo que não sentia por mim. Será que ele sentia o mesmo?
- Provavelmente, não. - falei baixinho e me surpreendi com uma resposta, ainda que não tivesse feito pergunta alguma.
- Não o quê? - ele estava acordado.
- Eu o acordei? Desculpa. - ele se descobria e espreguiçava. O cabelo amassado, o rosto amarrotado, um sorriso maravilhoso se mostrou.
- Eu tenho aula, lembra? - de fato, ele repetira um ano a ainda estava na última semana de provas. Eu optei por não tentar o vestibular no ano passado, não sabia o que queria ainda.
- É incrível como você acorda de tão bom humor.
- É... eu devo ter um déficit ou superávit daquele hormônio... como é mesmo?
- Sei lá... contanto que eu não morra de ataque cardíaco por causa dele, não me interessa.
- Mas o que era que você resmungava? "Provavelmente, não..."
- Pensamentos... fico imaginando meu mundo perfeito quando acordo, mas logo fico frustrado, pois nunca vai acontecer... - e não iria mesmo.
- Há! Talvez esteja na hora de você voltar à realidade, então. É horrível... Quer uma palmada nas costas como consolo?
- Um abraço seria bom... - falei para mim mesmo.
- Quer um beijo também? - ele, de novo, me escutou! Como podia? Ah, quem dera eu tivesse coragem para dizer "sim"...
- Vai tomar banho, vai! - e foi. Sentei na cama, meu travesseiro no colo. Fechei os olhos e desfrutei de um momento que não aconteceu.









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