
Lá estava eu, debaixo dos panos de minha cama. Olhava atentamente aquele pedaço de carne. Achei delicioso, mal podia esperar para colocar minha boca naquilo. Mas me perguntei: o que aquele pedaço fazia ali? Os panos desapareceram de repente e a luz, então, iluminou aquela tentação. A cor era estranha, um tom escuro, mulato. Não me lembro de ser daquela cor. Poderia ter mudado, afinal, há muito não via (se é que já vira) aquele pedaço.
Aproximei-me lenta e cautelosamente. Não queria fazer barulho. Não queria que me pegassem em meio ao prazer. Encostei meus lábios. Que sabor! Que textura! Nem tão duro, nem tão macio, simplesmente perfeito. Já havia visto outros e sempre os imaginava duros demais, macios demais, ou pequenos demais, tão pequenos que eu não me daria por satisfeito. Saboreei. Ousei mais um pouco e tentei algumas mordidinhas, bem de leve. Que sensação maravilhosa! Quase sobrenatural! Poderia ter ficado ali até que minhas energias se esgotassem, mas algo nas proximidades se mexeu. Fiquei paralisado, se fosse alguém... Não podiam me pegar fazendo aquilo. Eu não estava preparado para que soubessem. Queria fazer aquilo em segredo. É o meu mundo, não preciso da opinião deles... não... NÃO!
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