
1999 - Era hora do recreio. Minha mãe me dera uma mochila térmica da Sadia. Eu a carregava pelo pátio. Não era estranho usar merendeiras naquela época. Avistei um garoto do meu especial... ah, brincávamos de polícia e ladrão! Era minha vez de ser o ladrão... eu corria, ah, como corria. Mas ele me agarrou pela merendeira (maldita!). Comecei a girar e girar, na esperança de que ele perdesse o equilíbrio e me soltasse. Um sorriso, e bastou isso, para que meu coração desse uma batida mais, o fôlego me faltasse e aquele momento congelasse por instantes. Eu senti algo... e ele também, mas não sentimos a mesma coisa. Ele parou de sorrir e soltou minha merendeira assim que o momento passou. Foi como uma quebra de encanto. O que será que ele viu?
2000 - Eu conversava sobre Pokémon com um amigo, um grande amigo. Caminhamos por entre as árvores, das mesas grandes às escadas. Atravessamos a escola e o papo não mudava. O Sol da manhã emanava uma luz aconchegante, bela, capaz de transformar tudo o que tocava. Foi quando essa mesma luz passou por entre as folhas de uma árvore e iluminou seus cabelos, seu rosto... O mundo parou por, talvez, um segundo. Pode ter sido mais, ou menos, vai saber. Mas parou. Faltou-me ar nos pulmões naquele momento... Eu olhava para um garoto e via, nele, algo além da amizade. Algo muito melhor...
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